Remixes e Loops
Maio 14, 2009
A remistura é muito mais do que estabelecer uma pista de ritmo para uma canção original, e como a remistura é um conceito relativamente novo na história da música não existem ainda regras estabelecidas para o seu processo. Actualmente os artistas conseguem-se expandir num novo nível de interacção. O som em si, técnicas de produção e a arte dos sintetizadores abrem um novo plano para a composição. Não podemos comparar o valor artístico de um bom uso de filtros à criação de uma nova variação na melodia mas os músicos possuem hoje uma inteira gama digital de possibilidades com que podem alterar a cor e a textura dos sons. Os remixers usam os meios de produção para alterar a melodia numa nova forma.
As raízes dos remixes são as dub’s. A palavra dub é actualmente utilizada por todo o mundo da dance music para descrever um remix, ou uma música carregada por um forte baixo, mas principalmente um remix. Foram os artistas reggae dos anos 60 que iniciaram o estilo dub, que nós conhecemos por remix, procurando inicialmente uma exclusividade e originalidade no som, mas posteriormente uma maneira de reutilizar ritmos de músicas previamente gravadas. A mistura de estilos resulta em novos estilos e foi assim que surgiu o remix.
Os músicos conhecem o que já foi feito anteriormente, o que lhes possibilita a criação de novas canções numa mistura de estilos disponíveis. Muitos consideram que a gama de possibilidades está a aumentar. Os Dj’s são aqueles que se encontram iluminados pelas possibilidades. Eles tocam as músicas de outros, acrescentando o seu toque, estilo e efeitos, e emocionam as pessoas, alcançando fama e riqueza no decorrer desse processo. O Dj’s estão no mesmo barco pós-moderno da dance music e dos remixes. O Remix é uma versão e é a interpretação de uma outra música, reconhecível como essa outra música mas marcadamente diferente, e é isso que faz o remix diferente da restante dance music. A dance music utiliza samples de variadíssimas fontes, mas de uma forma geral tenta esconder as suas fontes. Um remix, no entanto, presta homenagem à sua fonte original.
Claramente, as remisturas têm o poder de tornarem populares muitas músicas às quais prestam homenagem, o que é visto por muitos como de uma notável mais valia, e por outros mais puristas como algo reprovável. Na mesma medida em que uma boa remistura é uma interpretação pessoal de uma música existente, é também algo verdadeiramente novo. É necessário possuir grande habilidade, recursos técnicos e conhecimento musical para criar uma remistura de valor. Uma remistura com integridade artística consegue ter vida por si só, mas no entanto tem de suportar uma semelhança com a sua antecessora.
Para se remisturar, o equipamento é um requisito básico. Para a remistura é necessário um computador, um sequenciador, um sampler e alguma forma de teclado midi para despoletar a sua utilização. Os Macs são normalmente os preferidos em detrimento dos pc’s por razões como o sistema operativo, a memoria, o processamento e a estabilidade. Quanto ao sequenciador o Cubase é o mais utilizado entre os remixers de topo, mas existem outros programas disponíveis como o Pro Tools, o Logic e o Live. Nomeadamente entre os samplers temos hardware de várias marcas como os Akai, os Yamaha, os Emu e Roland, entre outros. Temos também a possibilidade de utilizar soft samplers que constituem um menor investimento, mas tem a desvantagem de ter tempos de loading mais prolongados. Para nós estudantes, um iBook com um audiocard sampler e alguns plug-ins são os requisitos necessários criar música, mas todo o remixer e músico tem as suas preferências quanto ao equipamento.
A maior parte das músicas que os remixers recebem são em A-DAT, um sistema digital multipista, em cassete, usado pelos estúdios e por produtores de uma forma geral. A vantagem do A-DAT é que se recebe a música completa, sem misturas e separada na sua estrutura. Isto possibilita pegar nas partes pretendidas sem qualquer processamento e aos níveis desejados. Também podemos receber os ficheiros em WAV (formato digital referente a PC) ou AIFF (formato preferido pelos Mac). Tendo os elementos em nossa posse, é altura de iniciar o remix. Não existe nenhum método concreto de remisturar. Isso apenas acontece se a criatividade estiver limitada pelos desejos impostos pelo cliente. Se não for esse o caso, é a altura certa para revelar todo o talento do remixer. Há quem inicie o processo através do isolamento das vocalizações originais e crie uma reviravolta harmónica na melodia. Em muitos casos esta é a forma em que os remixers pegam na música, de forma a permitir-lhes a criação de uma pista melódica completamente nova. Este é definitivamente um caso de definição de estilo próprio. Muitos remixes são conseguidos através do uso de samples da pista original, e somente da pista original. Neste caso, a manipulação dos sons e a criação de diferentes atmosferas sonoras são conseguidas através da aplicação de efeitos. Existem também casos em que o remix difere bastante da versão original o que permite dizer exactamente que não existem regras na remistura, mas conseguimos identificar uma aproximação comum entre temas, que é a tentativa de manter a essência do original na remistura. Todos os remixers começam de uma parte retirada da música original, quer seja de um segmento vocal, quer seja de um segmento instrumental ou de uma amostra de linha de baixo. A essência pode ser um refrão, uma melodia central ou um riff de guitarra. É algo que identificamos claramente com a música original. Muitos remixers procuram essa essência para centrar a sua remistura e para manter a integridade do original. Pode ser um segmento pequeno mas cuja importância se revele fulcral para a obra original e consequentemente para a remisturada. Em muitos remixes, a voz é simplificada dando lugar apenas a uma pequena frase. Quando a pista é remisturada, o remixer pode reestruturar completamente a voz, alterar o tempo e até mesmo modificar o seu tom, resultando num divórcio entre a voz e a música, deixando esses dois elementos de depender um do outro. Algumas músicas não têm sequer linhas vocais o que pode ser incrivelmente libertador, ou até mesmo restritivo, dependendo do método de trabalho e fonte de inspiração do remixer.
Para que um remix mantenha a sua ligação com o original é importante manter contacto com a banda durante o processo de remistura. É muito importante saber-se qual a orientação pretendida pelo artista, o caminho que deseja que a música siga, porque na verdade, estamos a lidar com algo que não nos pertence. Isto deve acontecer numa fase inicial da carreira, porque numa fase posterior em que o remixer é já um artista consagrado no mercado musical, é lhe dada uma maior liberdade por possuir já trabalho reconhecido. Isto não retira porém importância ao conhecimento das vontades do artista da música original., mas nesta fase, o remixer é assumidamente procurado pelo seu estilo e trabalhos anteriores. É também importante explorar a tecnologia disponível. É possível enviar email’s com versões e comentários para a banda ou mesmo até manter um blog sobre o progresso das remisturas. A menos que tenha sido dada completa liberdade criativa ao remixer, não existe nenhuma banda que não aprecie que lhes sejam pedidas opiniões sobre as suas obras remisturadas.
Uma valiosa ferramenta em qualquer área do som, mas especialmente na arte de remisturar é a habilidade para cortar e localizar as amostras de áudio de forma exacta. A representação visual na maior parte dos sequenciadores é mais do que adequada para o arranjo de sons numa procura de moldar as músicas originais. Muitos samplers oferecem também funções que possibilitam remisturar loops, sendo os loops atribuídos a determinadas secções e posteriormente seleccionados de forma aleatória. Esta possibilidade pode oferecer bons resultados mas a maior parte dos sequenciadores permitem um maior controlo das acções, longe do acaso, especialmente quando utilizado um programa como o ReCycle.
Embora muitos remixes necessitem da retenção da linha de voz original, algumas das melhores remisturas transformam a voz em sons que fogem completamente à aparência das versões originais através de variadíssimos efeitos. Os auto-tuners estão disponíveis tanto em hardware como em software e estão desenhados para providenciar uma solução para os cantores que não estão nos seus melhores dias. Podem ser uma grande ajuda para aperfeiçoar uma remistura. Os auto-tuners calculam os tons originais dos sons e usam mudanças de tom em tempo real para colar os sons à escala definida pelo utilizador. Os samplers modernos são poderosos, possuem variadíssimos efeitos e um elevado grau de potencial de manipulação. Obviamente a melhor maneira de perceber o potencial de um sampler é através da experimentação. A função Reverse é também bastante útil para transformar sons com ataques exactos e longas continuações em sons para a música de dança, mas é aconselhável um uso moderado e subtil. Discrepâncias no tom e no tempo são obstáculos comuns para qualquer remixer. Os gravadores digitais modernos oferecem algumas soluções para este problema, nomeadamente o time-stretching e o pitch-shifting. Através da combinação destas ferramentas, que são oferecidos pela maior parte dos sequenciadores, com um sampler moderno é possível controlar qualquer nível de tom e tempo. A maior parte dos sequenciadores também calcula o tempo exacto em bpm’s das músicas originais solucionando assim problemas que possam surgir. Algumas batidas genéricas cujos bpm’s são importantes saber são as seguintes:
Hip Hop/Trip-Hop – 80-120bpm
House – entre 120 bpm para trance, acelerando para 150 bpm para hard house
Garage 130-140 bpm
Drum and Bass – 160-170bpm
Jungle – de 170 bpm para cima
Electrónica – 50-230bpm
Ambiente – 0bpm-maximo
Breakbeat – 130-150bpm
Claro que estas indicações constituem apenas guias, mas como estamos no contexto da música electrónica não existem reais limites.
O Looping é essencial no trabalho das remisturas, e como a dance music é construída à volta de uma produção baseada em loops é importante a familiarização com esta técnica. Um loop é uma peça de material sonoro que se repete várias vezes. Num sequenciador, um loop repete uma frase musical. Num sampler, os loops são usados para permitir que uma porção de som finita no tempo seja sustentada indefinidamente. Uma vez importado o material sonoro para o sequenciador, a primeira coisa a fazer é localizar a região que queremos fazer o loop, e cortar à sua volta, dando alguns segundos extra à volta da secção pretendida, em ambos os lados. Para produzirmos um crossfade descendente é necessário criar um fade in linear desde o silêncio ao volume total perto do início da secção pretendida para criar o loop, e um fade out linear desde o volume total ao silêncio, na extremidade da secção. Aquando do corte do segmento, que será usado como loop, uma ajuda importante é também baixar o tom uma ou duas oitavas, o que permite encontrar mais facilmente o exacto ponto de início e final da secção para loop. Uma vez terminado o corte, é só voltar a recolocar o loop de volta no tom e tempo correcto.
Os efeitos são alguns dos mais utilizados mas menos entendidos recursos ao dispor do produtor. Se o remixer achar que falta algo ao seu actual projecto remix, alguns efeitos plug-in conseguem em muitos dos casos preencher essas lacunas. Como a remistura é muito sobre a alteração do original para algo diferente, os efeitos tem um papel bastante relevante neste processo porque fazem exactamente isso, pegam no som original e transformam-no. O reverb é definitivamente o efeito mais comum, e quase todas as unidades de som, samplers e sequenciadores possuem pelo menos um tipo de reverb. É uma importante ferramenta na criação de sentido de espaço.
A compressão foi inventada originalmente para solucionar os limites de frequências do vinil. A agulha começava a saltar com as vibrações das frequências mais baixas, e alguns técnicos de som desenvolveram a compressão para permitir aos álbuns terem frequências baixas sem que a agulha saltasse e riscasse o vinil. Desde os primeiros dias que a equalização se desenvolveu numa ferramenta essencial para os produtores, possibilitando o estabelecimento de limites sonoros. O Delay é basicamente eco e é bastante usado actualmente na gravação. O delay é o que atribui fluidez a qualquer estilo de dance music. Faz com que as batidas e as linhas de sintetizadores fluam, e é essencial para as dub.
Tal como qualquer produtor pode afirmar, a equalização tanto pode criar como destruir uma mistura. Tal como um pintor mistura inicialmente as cores para acentuar certas áreas de uma pintura, um produtor mistura as frequências altas, baixas e medias para atingir colorações subtis de tonalidades que uma boa mistura necessita. A equalização pode afectar dramaticamente o carácter de um som, mas se usado subtilmente pode também alterar a presença do som sem alterar a qualidade da tonalidade. Essa é a chave para a criação de misturas espacializadas a que estamos acostumados. Tal como nos efeitos, menos pode valer mais, portanto é sempre aconselhável cortar frequências do que intensificálas. Um high-pass filter permite que as altas frequências passem sem serem afectadas mas baixa a intensidade das frequências mais baixas em concordância com o seu valor relativo. Quanto mais baixas forem as frequências mais intenso é o corte. Um low-pass filter emprega os mesmos princípios mas de uma forma oposta – as altas frequências são cortadas, permitindo as mais baixas soarem intactas. A equalização por parâmetros permite a escolha ao utilizador sobre o alcance do corte ou intensificação das frequências, e é um tipo de equalização que é encontrado na maior parte dos sequenciadores. É extremamente flexível, e muitas frustrantes e recompensantes horas serão passadas a alterar os seus parâmetros. Ao analisarmos os níveis de frequências conseguimos detectar indesejáveis ressonâncias e reduzir os seus valores de ganho. Se for necessário enfatizar um instrumento é possível encontrar a frequência que realça o som, e de uma forma simples se intensifica o ganho.
Estilos musicais particulares requerem métodos particulares, mas algumas generalizações podem ser feitas. Normalmente, a forma mais segura é começar com a equalização de médio alcance para as vozes, no entanto adicionar intensidade às altas frequências pode criar uma sensação de espaço. Deve-se sempre alterar as opções da equalização se estivermos a trabalhar com mais do que uma pista de voz, e com as vozes de coro deve-se tentar utilizar apenas as frequências de médio alcance, porque permite um melhor destaque da voz principal. No geral, os sons de baixo são a parte mais complicada de acertar na mistura. Deve-se tentar sempre ouvir a mistura numa variedade de colunas diferentes, porque isso apontará as diferenças de tons de baixo produzidos pelos diferentes sistemas. O Baixo possui uma quantidade enorme de frequências que podem destruir uma mistura – o que soa bem numas boas colunas pode abafar uma mistura numas colunas mais baratas. A solução mais fácil para as frequências de baixo é usar a compressão para normalizar os muito baixos e muito altos alcances. O som de cordas solo precisa normalmente de ser enriquecido, e aumentar o ganho às médias frequências consegue normalmente atingir esses fins. Já as secções de cordas tendem a ocupar um enorme espectro de frequências. Nesse caso a melhor aposta é cortar frequências, mas o que é cortado e onde é cortado depende da música em que se está a trabalhar. A ressonância do bater das cordas é usada muitas vezes como um efeito na tecno e jungle. Assim, e como sempre, o melhor a fazer é experimentar.
O kick da bateria tende a ser o mais problemático som a equalizar na dance music. Tal como com os sons do baixo, deve-se ouvir a mistura em vários equipamentos. Na house music deve-se aumentar as frequências baixas, no drum n’ bass deve-se cortar as frequências baixas, e com o hip hop deve-se tocar consoante o que melhor convém a determinada canção, As tarolas normalmente respondem bem a um pequeno ganho nas frequências médias. Os tambores também beneficiam com um pequeno toque nas frequências de topo, o que ajuda na pronunciação do seu ataque e aumenta realismo ao som, mas também um aumento das suas baixas frequências aumenta a sua presença na mistura. A espacialização também é muito útil. Normalmente tenta-se espelhar uma bateria real para que cada parte da bateria ocupe o seu lugar no espectro estéreo.
Jason Swinscoe dá o seguinte conselho a quem pretende trabalhar em remixes: “Trata o remix como se fosse a tua própria musica. Não o faças por dinheiro. Concentra-te totalmente no trabalho e em todo o teu conhecimento até esse ponto e não tenhas receio de desperdiçar ideias interessantes. Apenas aceita um remix se estiveres mesmo com vontade de o fazer. Se não estiveres a faze-lo a 100% vais acabar por fazer um trabalho medíocre. O teu coração tem de estar em tudo o que fazes.”
MOSH REMIX
Março 23, 2009
1º Ponto de Situação
Março 23, 2009
Sinopse. “MOSH REMIX” é um projecto de música electrónica de Sérgio Magalhães no âmbito da cadeira de Projecto Artístico Áudio II da Universidade Católica Portuguesa. Este projecto final de Licenciatura em Som e Imagem consiste na remistura do EP “The Damage Done” da banda portuguesa MOSH, composta por Alberto Cardoso na bateria, a voz de Pedro Lima, Miguel Ramos no baixo e Miguel Azevedo na guitarra. A música de MOSH cruza as raízes do hard rock com a dimensão do Heavy Metal e surge com dimensão e identidade própria no panorama musical português. Essa identidade foi já reconhecida além fronteiras com nomeações para prémios internacionais. Com esta remistura electrónica Sérgio Magalhães procura explorar as possibilidades melódicas e alargar os horizontes musicais deste primeiro projecto da banda através da manipulação de sonoridades variadas como o break beat, o big beat, o drum n’ bass, trip hop, musica ambiente e experimental.
Quanto ao conceito deste projecto, a minha ideia inicial era a da criação de temas originais no contexto electrónico, constituídas por música e letra da minha autoria, mas uma vez percebidas as minhas próprias limitações, e como os conceitos podem ser reformulados numa fase de pré produção, para chegar o mais próximo possível das minhas capacidades e prevendo dificuldades e possíveis eventualidades, surge a ideia das Remisturas. Remisturar o EP “The Damage Done” da banda portuguesa MOSH parece-me uma ideia mais próxima de conseguir atingir o real. O processo de aprendizagem e motivação para a actividade tem sido um processo contínuo, com vários obstáculos mas sempre com um rumo definido. Sendo sabido que as acções particulares não têm finalidades em si mesmas, a sua finalidade é a aprendizagem significativa, e é esse o meu objectivo para este semestre. Não aprendemos o que já sabemos, e como estou a iniciar trabalho numa área que para mim era reconhecidamente desconhecida, a aprendizagem não é possível sem o estabelecimento de relações, quer com os meus colegas que me têm ajudado, quer com monitores do espaço digitópia da Casa da Música e também, principalmente, com o os docentes da Cadeira de Projecto Artístico Áudio. Ou seja, partindo de um ponto de vista do desenvolvimento em potencial, aquilo que não sabemos pode ser motor de aprendizagem significativa.
Os conceitos são elaborações dinâmicas, abstractas e genéricas e é esse mesmo o presente estado do conceito para o meu projecto áudio, uma vez ainda não iniciado o projecto de produção, estando ainda à espera da inspiração para que possa ter um conhecimento inicial que possa dar um rumo marcante ao meu trabalho, está assim o meu conceito em desenvolvimento à espera que o concretize. O professor Vasco, como mediador das minhas intenções e obstáculos deu uma ajuda significativa no processo da construção e elaboração da ideia e da formulação deste conceito. Ninguém pensa a partir do nada e eu não fui diferente. Não se ensina o conceito, mas a ajuda que tive no sentido de comparar, discutir e estabelecer relações para chegar ao conceito foi significativa para que possa partir do abstracto para o concreto. As informações, o conhecimento e experiências servem para reelaborar e ampliar o conceito que está sempre em constante mutação. Mas sendo este um ponto de situação estático, remisturar o EP “The Damage is Done” da banda portuguesa MOSH através de sons e práticas electrónicas recombinantes, utilizando a desconstrução do seu estilo hard rock/metal que os caracteriza numa sonoridade mais identificável e influenciada pelo breakbeat, big beat, trip hop e música ambiente é o meu principal foco e orientação. O remix, a colagem e a fusão de ideias serão essenciais para a minha criatividade neste projecto.
O processo de remistura vai muito mais além de criação de uma linha de batida para uma musica original. Como a remistura é uma ideia recente na história da musica não existem ainda regras estabelecidas para o seu processo existindo assim uma grande liberdade para o artista. Através das novas tecnologias o músico possui hoje uma vasta gama de possibilidades que lhe permitem alterar a sonoridade e a textura dos sons originais, transformando assim melodias em novas melodias.
Existem diversos tipos de remixes tais como o Dance Remix, o Trance Remix, Hybrid Remix, Hard Remix, e Vocal Remix entre outros. Apesar duma maioria das músicas remixadas serem em versão dance, o remix não precisa obrigatoriamente e necessariamente de o ser. Tal como em muitos remixes cujo andamento da música não é alterado, ficando na forma original e não numa versão dançante, “MOSH REMIX” seguirá o ritmo da obra original, tendo porém a inclusão de vários outros estilos que me caracterizam. Este tipo de remix que pretendo alcançar foi muito famoso nos anos 80 e é uma alternativa, com a qual mais me identifico, à maioria de remixes que tem sido feitos na presente década.
Pretendo assim proporcionar uma experiência revivalista através de outros tipos de melodia, mas tendo sempre o objectivo da evolução musical do público. O remix deve obrigatoriamente ter a permissão do autor original, e foi o que consegui com as várias conversas que tive com a banda. Se tal não se verificasse a obra seria apenas mais uma cópia modificada não autorizada, ou seja, um “bootleg” e esse não era de todo o meu objectivo.
A música electrónica no presente contexto artístico, quer como consequência das experimentações, quer como veículo natural de uma sociedade em desenvolvimento está em constante mutação e tanto surge do ritmo exacto como da aleatoriadade. Existe uma liberdade tremenda nesta forma de música e eu pretendo usufruir desse contexto. Ela é criada ou modificada através do uso de equipamentos e instrumentos electrónicos, tais como sintetizadores, gravadores digitais, computadores ou softwares de composição. A forma de composição é geralmente intuitiva, e por isso convém mencionar as minhas influências musicais, pois irão muito certamente influenciar-me neste projecto.
O Break-beat é um estilo que me tem influenciado bastante. É uma vertente da música electrónica, criada na década de 70. É muito conhecido pelas samples de ritmos hip-hop, funk e electro que se modificam e alteram para criar os denominados “breaks. O Break-beat acaba também por estar ligado ao Drum n’ bass, outro estilo que me agrada particularmente. Este mistura as linhas de baixos a uma temática mais jazzy, menos quebrada, com vocais minimalistas.
O Trip Hop é o blues da música electrónica. Melodias tristes, com batidas desaceleradas, geralmente cantadas. A base é o hip hop, só que com efeitos e distorções. A voz é muitas vezes processada por filtros e parece mecanizada. Como exemplo temos os Portishead, que também me influenciaram bastante.
A música ambiente é um género musical que incorpora elementos de um número de outros estilos – que incluem jazz, música electrónica, new age, música clássica moderna e até ruído. É identificável, acima de tudo, por criar uma atmosfera subtil e envolvente formada a partir de poucos elementos. Admiro bastante Brian Eno a sua música minimalista e Sigur Rós. Por essa razão penso ser possivelmente influenciado por eles e por isso a sua menção.
Música experimental é um estilo de música inovadora que surigu no Século XX, desafiando todas as concepções normais de como uma música deve ser, e extrapola os limites popularmente conhecidos. Dessa forma, há pouco acordo sobre o quão experimental uma música pode ser, antes de ser considerada apenas ruído. Geralmente as bandas experimentais possuem instrumentos pouco conhecidos, modificados, ou utilizados de maneiras inovadoras, efeitos estranhos aplicados de maneiras não convencionais e mistura de diversos géneros opostos, tal como este projecto crossover entre música electrónica e hard rock/metal. Por não ser uma combinação comum podemos situar este projecto no contexto da música experimental. A música experimental também pode recorrer aos sons de objectos e efeitos diversos de acordo com a intenção do compositor, experimentando os sons como o próprio nome diz. Quando também é usado música electrónica de maneira mais “pesada”, como é meu intuito, com característica noise, este experimentalismo pode também ser chamado de música industrial.
O hard rock é muitas vezes confundido com o heavy metal devido a algumas semelhanças e uma raiz geneológica comum. A linha rítmica do hard rock baseia-se mais no ritmo. As guitarras acompanham o vocal, ou o inverso. A bateria é caracterizada por batidas simples. O heavy metal baseia-se mais nos riffs de guitarra, que são independentes da voz. No compasso musical seguem a bateria. As raízes do hard rock encontram-se nas bandas iniciais de heavy metal do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 e nas bandas de punk rock do final dos anos 1970. Tendo como raízes o blues-rock e o rock psicodélico, as bandas de metal que criaram o género desenvolveram um espesso, maciço som, caracterizado por altas distorções amplificadas, prolongados solos de guitarra e batidas enfáticas. Sonoramente o heavy metal caracteriza-se por riffs pesados, bateria marcada por tons graves, secos, vocais característicos diversos que vão do agudo, agudo melódico, aveludado, rasgado ao grave gutural, e solos de guitarra complexos. A banda MOSH, alvo deste projecto de remistura encontra-se neste contexto de influências ambíguas, tendo trabalhos com nítidas marcas de ambas as sonoridades. A banda é constituída por Alberto Cardoso na bateria, a voz de Pedro Lima, Miguel Ramos no baixo e Miguel Azevedo na guitarra. É baseado no projecto multipista Pro Tools referente ao EP “The Damage Done”, gravado por Mário Barreiro e Mário Pereira, que vou desenvolver o meu projecto de remistura.
A vanguarda é um valor presente na criação artistica. Essa questão não pode ser separada da própria, uma vez que nenhum artista se dispõe a criar algo que nada contenha de novo. Seja tematicamente, seja estilisticamente, a obra recente deve acrescentar algo ao panorama artístico. Isso, aliás, é o que distingue o artista do técnico. Esse tende simplesmente a se valer de seus recursos técnicos para reproduzir o mesmo objecto. O novo na arte não tem que constituir sempre uma ruptura, pode ser progressiva. Essa será a minha abordagem e espero ser bem sucedido. A música como arte está em eterna criação, já que a técnica que a viabiliza é pura virtuosidade. Porém, quanto à abordagem técnica e de método ainda tenho muito para aprender com o que já foi feito, em termos de resultado é que espero conseguir surpreender-me a mim próprio.
Os meus objectivos com este projecto são poder aplicar os conhecimentos adquiridos no decorrer dos três anos lectivos da Licenciatura no que diz respeito ao Áudio. O Projecto que iniciei está dividido em três fase principais: a pre-produção, a produção e a pós-produção. No final desta Licenciatura pretendo ter desenvolvido as competências para poder realizar estas três fases de forma a coincidirem com os meus objectivos no plano criativo em termos futuros. Através desta produção individual pretendo criar métodos de criação e apresentação na área do áudio de forma a me preparar para o mercado de trabalho. Num balanço final pretendo ter reunido o conhecimento necessário, no que diz respeito a capacidades para realizar projectos artísticos quer também no que remete às aptidões para os apresentar com sucesso.
O trabalho de pré produção é a base para se poder preparar e planear correctamente um trabalho. Chegar ao momento da execução e estar consciente das necessidades que possam surgir é algo que pode seguramente fazer a diferença. Assim, o meu percurso na pré-produção para este projecto tem sido o contacto regular com a banda, e posteriormente a exploração dos programas aos quais irei recorrer (Pro Tools, Live 7, Reason 4) para uma melhor familiarização quanto aos seus processos. Tenho também procurado conhecer trabalhos de vários artistas baseados no mesmo conceito e contexto musical para me poder situar quanto ao que já foi feito e ao contributo que posso dar. Durante estas ultimas semanas fui preparando o trabalho neste projecto através da pesquisa de trabalhos na área, aprofundando o meu conhecimento quanto ao contexto do projecto que pretendo realizar. A planificação surgiu assim de forma natural após perceber os passos e operações necessárias e competências a desenvolver para a sua realização.
Depois dos trabalhos efectuados no âmbito das capturas sonoras adquiri conhecimentos quanto aos meios técnicos necessários quer para a captura quer para a edição. Os conhecimentos que possuo para a transformação das fontes sonoras serão postos à prova neste projecto nas próximas semanas de trabalho.
A Mistura Sonora será realizada após a conclusão da edição. Processos como a nivelação e espacialização do som serão realizado apenas nas últimas semanas do semestre e após a edição ser concluída.
A Masterização será concluída numa fase final, após ter adquirido os conhecimentos necessários para a implementar.
Planificação de Trabalho. Esta é a minha Planificação de trabalho e está realizada de forma a atingir os resultados a que me predisponho para a realização do projecto deste semestre. Esta planificação tem já presente as eventuais falhas e imprevistos que possam surgir. Para que o sucesso deste trabalho seja real, comprometo-me a estar sempre presente nas reuniões semanais com o professor para que ele seja também um participante nestas várias etapas. As actualizações serão permanentes em http://sirmajelians.wordpress.com/
24 Março 6ª Ponto de situação 1
31 Março 7ª Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
7 Abril FÉRIAS
14 Abril FÉRIAS
21 Abril 8ª Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
28 Abril 9ª Ponto de situação 2 e Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
5 Maio Semana EA
12 Maio 10ª Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
19 Maio 11ª Mistura
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
26 Maio 12ª Processo de finalização e masterização de som
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
2 Junho 13ª Entrega e apresentação do Projecto Final
Netgrafia
http://www.youtube.com/watch?v=7d079GgIzvs
http://www.youtube.com/watch?v=ORS3y29Ch4E
http://www.youtube.com/watch?v=02gHxu3JtPA
http://www.youtube.com/watch?v=H0a1JExHzEQ
http://www.youtube.com/watch?v=omuOs7vbpT4
http://www.youtube.com/watch?v=-vrkCDiDXK4
http://www.youtube.com/watch?v=C5Z3A9FXqRM
http://www.youtube.com/watch?v=qJKQcVLz7S0
http://www.mp3tube.net/br/musics/Pantera-Pantera-Mission-Impossible-Theme-Heavy-Metal-Remix/57235/
http://techno.org/electronic-music-guide/
http://www.columbia.edu/~hauben/music/electronic.html
http://www.electronic-music.net/
http://www.phinnweb.org/history/
http://www.indiana.edu/~emusic/elechist.htm
http://www.electronicmusicstyles.com/
http://remixmag.com/artists/electronic/
http://www.selcukartut.com/portfolio/newelectronicmusic.php
http://stason.org/TULARC/musical-instruments/netjam-electronic-computer-music/
http://freakbutterfly.wordpress.com/2008/06/10/a-origem-do-heavy-metal/#comment-176
http://remix.nin.com/main/index?allow_ie6=yes
http://www.youtube.com/watch?v=7d079GgIzvs
http://www.youtube.com/watch?v=ORS3y29Ch4E
http://www.youtube.com/watch?v=02gHxu3JtPA
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http://www.youtube.com/watch?v=C5Z3A9FXqRM
http://www.youtube.com/watch?v=qJKQcVLz7S0
http://www.youtube.com/watch?v=zO3dA_YayH4
http://www.youtube.com/watch?v=kXbsARrVjfg
http://www.youtube.com/watch?v=9FcTJLbj4rk
http://www.youtube.com/watch?v=j6Z40BDbAPU
Proposta de Trabalho 2º Semestre
Janeiro 9, 2009
Identificação Blog:
Sérgio José Oliveira Magalhães
2008/2009
1º Semestre
Projecto Artístico

