1º Ponto de Situação
Março 23, 2009
Sinopse. “MOSH REMIX” é um projecto de música electrónica de Sérgio Magalhães no âmbito da cadeira de Projecto Artístico Áudio II da Universidade Católica Portuguesa. Este projecto final de Licenciatura em Som e Imagem consiste na remistura do EP “The Damage Done” da banda portuguesa MOSH, composta por Alberto Cardoso na bateria, a voz de Pedro Lima, Miguel Ramos no baixo e Miguel Azevedo na guitarra. A música de MOSH cruza as raízes do hard rock com a dimensão do Heavy Metal e surge com dimensão e identidade própria no panorama musical português. Essa identidade foi já reconhecida além fronteiras com nomeações para prémios internacionais. Com esta remistura electrónica Sérgio Magalhães procura explorar as possibilidades melódicas e alargar os horizontes musicais deste primeiro projecto da banda através da manipulação de sonoridades variadas como o break beat, o big beat, o drum n’ bass, trip hop, musica ambiente e experimental.
Quanto ao conceito deste projecto, a minha ideia inicial era a da criação de temas originais no contexto electrónico, constituídas por música e letra da minha autoria, mas uma vez percebidas as minhas próprias limitações, e como os conceitos podem ser reformulados numa fase de pré produção, para chegar o mais próximo possível das minhas capacidades e prevendo dificuldades e possíveis eventualidades, surge a ideia das Remisturas. Remisturar o EP “The Damage Done” da banda portuguesa MOSH parece-me uma ideia mais próxima de conseguir atingir o real. O processo de aprendizagem e motivação para a actividade tem sido um processo contínuo, com vários obstáculos mas sempre com um rumo definido. Sendo sabido que as acções particulares não têm finalidades em si mesmas, a sua finalidade é a aprendizagem significativa, e é esse o meu objectivo para este semestre. Não aprendemos o que já sabemos, e como estou a iniciar trabalho numa área que para mim era reconhecidamente desconhecida, a aprendizagem não é possível sem o estabelecimento de relações, quer com os meus colegas que me têm ajudado, quer com monitores do espaço digitópia da Casa da Música e também, principalmente, com o os docentes da Cadeira de Projecto Artístico Áudio. Ou seja, partindo de um ponto de vista do desenvolvimento em potencial, aquilo que não sabemos pode ser motor de aprendizagem significativa.
Os conceitos são elaborações dinâmicas, abstractas e genéricas e é esse mesmo o presente estado do conceito para o meu projecto áudio, uma vez ainda não iniciado o projecto de produção, estando ainda à espera da inspiração para que possa ter um conhecimento inicial que possa dar um rumo marcante ao meu trabalho, está assim o meu conceito em desenvolvimento à espera que o concretize. O professor Vasco, como mediador das minhas intenções e obstáculos deu uma ajuda significativa no processo da construção e elaboração da ideia e da formulação deste conceito. Ninguém pensa a partir do nada e eu não fui diferente. Não se ensina o conceito, mas a ajuda que tive no sentido de comparar, discutir e estabelecer relações para chegar ao conceito foi significativa para que possa partir do abstracto para o concreto. As informações, o conhecimento e experiências servem para reelaborar e ampliar o conceito que está sempre em constante mutação. Mas sendo este um ponto de situação estático, remisturar o EP “The Damage is Done” da banda portuguesa MOSH através de sons e práticas electrónicas recombinantes, utilizando a desconstrução do seu estilo hard rock/metal que os caracteriza numa sonoridade mais identificável e influenciada pelo breakbeat, big beat, trip hop e música ambiente é o meu principal foco e orientação. O remix, a colagem e a fusão de ideias serão essenciais para a minha criatividade neste projecto.
O processo de remistura vai muito mais além de criação de uma linha de batida para uma musica original. Como a remistura é uma ideia recente na história da musica não existem ainda regras estabelecidas para o seu processo existindo assim uma grande liberdade para o artista. Através das novas tecnologias o músico possui hoje uma vasta gama de possibilidades que lhe permitem alterar a sonoridade e a textura dos sons originais, transformando assim melodias em novas melodias.
Existem diversos tipos de remixes tais como o Dance Remix, o Trance Remix, Hybrid Remix, Hard Remix, e Vocal Remix entre outros. Apesar duma maioria das músicas remixadas serem em versão dance, o remix não precisa obrigatoriamente e necessariamente de o ser. Tal como em muitos remixes cujo andamento da música não é alterado, ficando na forma original e não numa versão dançante, “MOSH REMIX” seguirá o ritmo da obra original, tendo porém a inclusão de vários outros estilos que me caracterizam. Este tipo de remix que pretendo alcançar foi muito famoso nos anos 80 e é uma alternativa, com a qual mais me identifico, à maioria de remixes que tem sido feitos na presente década.
Pretendo assim proporcionar uma experiência revivalista através de outros tipos de melodia, mas tendo sempre o objectivo da evolução musical do público. O remix deve obrigatoriamente ter a permissão do autor original, e foi o que consegui com as várias conversas que tive com a banda. Se tal não se verificasse a obra seria apenas mais uma cópia modificada não autorizada, ou seja, um “bootleg” e esse não era de todo o meu objectivo.
A música electrónica no presente contexto artístico, quer como consequência das experimentações, quer como veículo natural de uma sociedade em desenvolvimento está em constante mutação e tanto surge do ritmo exacto como da aleatoriadade. Existe uma liberdade tremenda nesta forma de música e eu pretendo usufruir desse contexto. Ela é criada ou modificada através do uso de equipamentos e instrumentos electrónicos, tais como sintetizadores, gravadores digitais, computadores ou softwares de composição. A forma de composição é geralmente intuitiva, e por isso convém mencionar as minhas influências musicais, pois irão muito certamente influenciar-me neste projecto.
O Break-beat é um estilo que me tem influenciado bastante. É uma vertente da música electrónica, criada na década de 70. É muito conhecido pelas samples de ritmos hip-hop, funk e electro que se modificam e alteram para criar os denominados “breaks. O Break-beat acaba também por estar ligado ao Drum n’ bass, outro estilo que me agrada particularmente. Este mistura as linhas de baixos a uma temática mais jazzy, menos quebrada, com vocais minimalistas.
O Trip Hop é o blues da música electrónica. Melodias tristes, com batidas desaceleradas, geralmente cantadas. A base é o hip hop, só que com efeitos e distorções. A voz é muitas vezes processada por filtros e parece mecanizada. Como exemplo temos os Portishead, que também me influenciaram bastante.
A música ambiente é um género musical que incorpora elementos de um número de outros estilos – que incluem jazz, música electrónica, new age, música clássica moderna e até ruído. É identificável, acima de tudo, por criar uma atmosfera subtil e envolvente formada a partir de poucos elementos. Admiro bastante Brian Eno a sua música minimalista e Sigur Rós. Por essa razão penso ser possivelmente influenciado por eles e por isso a sua menção.
Música experimental é um estilo de música inovadora que surigu no Século XX, desafiando todas as concepções normais de como uma música deve ser, e extrapola os limites popularmente conhecidos. Dessa forma, há pouco acordo sobre o quão experimental uma música pode ser, antes de ser considerada apenas ruído. Geralmente as bandas experimentais possuem instrumentos pouco conhecidos, modificados, ou utilizados de maneiras inovadoras, efeitos estranhos aplicados de maneiras não convencionais e mistura de diversos géneros opostos, tal como este projecto crossover entre música electrónica e hard rock/metal. Por não ser uma combinação comum podemos situar este projecto no contexto da música experimental. A música experimental também pode recorrer aos sons de objectos e efeitos diversos de acordo com a intenção do compositor, experimentando os sons como o próprio nome diz. Quando também é usado música electrónica de maneira mais “pesada”, como é meu intuito, com característica noise, este experimentalismo pode também ser chamado de música industrial.
O hard rock é muitas vezes confundido com o heavy metal devido a algumas semelhanças e uma raiz geneológica comum. A linha rítmica do hard rock baseia-se mais no ritmo. As guitarras acompanham o vocal, ou o inverso. A bateria é caracterizada por batidas simples. O heavy metal baseia-se mais nos riffs de guitarra, que são independentes da voz. No compasso musical seguem a bateria. As raízes do hard rock encontram-se nas bandas iniciais de heavy metal do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 e nas bandas de punk rock do final dos anos 1970. Tendo como raízes o blues-rock e o rock psicodélico, as bandas de metal que criaram o género desenvolveram um espesso, maciço som, caracterizado por altas distorções amplificadas, prolongados solos de guitarra e batidas enfáticas. Sonoramente o heavy metal caracteriza-se por riffs pesados, bateria marcada por tons graves, secos, vocais característicos diversos que vão do agudo, agudo melódico, aveludado, rasgado ao grave gutural, e solos de guitarra complexos. A banda MOSH, alvo deste projecto de remistura encontra-se neste contexto de influências ambíguas, tendo trabalhos com nítidas marcas de ambas as sonoridades. A banda é constituída por Alberto Cardoso na bateria, a voz de Pedro Lima, Miguel Ramos no baixo e Miguel Azevedo na guitarra. É baseado no projecto multipista Pro Tools referente ao EP “The Damage Done”, gravado por Mário Barreiro e Mário Pereira, que vou desenvolver o meu projecto de remistura.
A vanguarda é um valor presente na criação artistica. Essa questão não pode ser separada da própria, uma vez que nenhum artista se dispõe a criar algo que nada contenha de novo. Seja tematicamente, seja estilisticamente, a obra recente deve acrescentar algo ao panorama artístico. Isso, aliás, é o que distingue o artista do técnico. Esse tende simplesmente a se valer de seus recursos técnicos para reproduzir o mesmo objecto. O novo na arte não tem que constituir sempre uma ruptura, pode ser progressiva. Essa será a minha abordagem e espero ser bem sucedido. A música como arte está em eterna criação, já que a técnica que a viabiliza é pura virtuosidade. Porém, quanto à abordagem técnica e de método ainda tenho muito para aprender com o que já foi feito, em termos de resultado é que espero conseguir surpreender-me a mim próprio.
Os meus objectivos com este projecto são poder aplicar os conhecimentos adquiridos no decorrer dos três anos lectivos da Licenciatura no que diz respeito ao Áudio. O Projecto que iniciei está dividido em três fase principais: a pre-produção, a produção e a pós-produção. No final desta Licenciatura pretendo ter desenvolvido as competências para poder realizar estas três fases de forma a coincidirem com os meus objectivos no plano criativo em termos futuros. Através desta produção individual pretendo criar métodos de criação e apresentação na área do áudio de forma a me preparar para o mercado de trabalho. Num balanço final pretendo ter reunido o conhecimento necessário, no que diz respeito a capacidades para realizar projectos artísticos quer também no que remete às aptidões para os apresentar com sucesso.
O trabalho de pré produção é a base para se poder preparar e planear correctamente um trabalho. Chegar ao momento da execução e estar consciente das necessidades que possam surgir é algo que pode seguramente fazer a diferença. Assim, o meu percurso na pré-produção para este projecto tem sido o contacto regular com a banda, e posteriormente a exploração dos programas aos quais irei recorrer (Pro Tools, Live 7, Reason 4) para uma melhor familiarização quanto aos seus processos. Tenho também procurado conhecer trabalhos de vários artistas baseados no mesmo conceito e contexto musical para me poder situar quanto ao que já foi feito e ao contributo que posso dar. Durante estas ultimas semanas fui preparando o trabalho neste projecto através da pesquisa de trabalhos na área, aprofundando o meu conhecimento quanto ao contexto do projecto que pretendo realizar. A planificação surgiu assim de forma natural após perceber os passos e operações necessárias e competências a desenvolver para a sua realização.
Depois dos trabalhos efectuados no âmbito das capturas sonoras adquiri conhecimentos quanto aos meios técnicos necessários quer para a captura quer para a edição. Os conhecimentos que possuo para a transformação das fontes sonoras serão postos à prova neste projecto nas próximas semanas de trabalho.
A Mistura Sonora será realizada após a conclusão da edição. Processos como a nivelação e espacialização do som serão realizado apenas nas últimas semanas do semestre e após a edição ser concluída.
A Masterização será concluída numa fase final, após ter adquirido os conhecimentos necessários para a implementar.
Planificação de Trabalho. Esta é a minha Planificação de trabalho e está realizada de forma a atingir os resultados a que me predisponho para a realização do projecto deste semestre. Esta planificação tem já presente as eventuais falhas e imprevistos que possam surgir. Para que o sucesso deste trabalho seja real, comprometo-me a estar sempre presente nas reuniões semanais com o professor para que ele seja também um participante nestas várias etapas. As actualizações serão permanentes em http://sirmajelians.wordpress.com/
24 Março 6ª Ponto de situação 1
31 Março 7ª Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
7 Abril FÉRIAS
14 Abril FÉRIAS
21 Abril 8ª Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
28 Abril 9ª Ponto de situação 2 e Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
5 Maio Semana EA
12 Maio 10ª Edição
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
19 Maio 11ª Mistura
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
26 Maio 12ª Processo de finalização e masterização de som
Apresentar evolução do trabalho e procurar apoio do docente
2 Junho 13ª Entrega e apresentação do Projecto Final
Netgrafia
http://www.youtube.com/watch?v=7d079GgIzvs
http://www.youtube.com/watch?v=ORS3y29Ch4E
http://www.youtube.com/watch?v=02gHxu3JtPA
http://www.youtube.com/watch?v=H0a1JExHzEQ
http://www.youtube.com/watch?v=omuOs7vbpT4
http://www.youtube.com/watch?v=-vrkCDiDXK4
http://www.youtube.com/watch?v=C5Z3A9FXqRM
http://www.youtube.com/watch?v=qJKQcVLz7S0
http://www.mp3tube.net/br/musics/Pantera-Pantera-Mission-Impossible-Theme-Heavy-Metal-Remix/57235/
http://techno.org/electronic-music-guide/
http://www.columbia.edu/~hauben/music/electronic.html
http://www.electronic-music.net/
http://www.phinnweb.org/history/
http://www.indiana.edu/~emusic/elechist.htm
http://www.electronicmusicstyles.com/
http://remixmag.com/artists/electronic/
http://www.selcukartut.com/portfolio/newelectronicmusic.php
http://stason.org/TULARC/musical-instruments/netjam-electronic-computer-music/
http://freakbutterfly.wordpress.com/2008/06/10/a-origem-do-heavy-metal/#comment-176
http://remix.nin.com/main/index?allow_ie6=yes
http://www.youtube.com/watch?v=7d079GgIzvs
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http://www.youtube.com/watch?v=zO3dA_YayH4
http://www.youtube.com/watch?v=kXbsARrVjfg
http://www.youtube.com/watch?v=9FcTJLbj4rk
http://www.youtube.com/watch?v=j6Z40BDbAPU